O fim do viralatismo - 1958, o ano em que o mundo descobriu o Brasil

JOSÉ CARLOS ASBEG

A bagagem da seleção brasileira de futebol, que embarcou em fins de maio de 1958 para a Suécia, onde foi disputar a copa do mundo, levava um peso extra, difícil de ser carregado: o complexo de vira-lata do povo brasileiro. Ele não pesava nas malas, pesava na alma de cada jogador. A seleção já saiu do Brasil derrotada, os jogadores eram amarelões, que tremeriam na hora h e humilhariam toda a nação.

Nelson Rodrigues definiu este sentimento nacional como “o complexo de inferioridade que todo brasileiro, voluntariamente, se coloca diante do estrangeiro”. Portanto, o povo brasileiro é que era complexado e não os jogadores. Eles partiram confiantes. Sabiam do próprio valor. Afinal, que outra seleção, em qualquer outra época, reuniria Gilmar, Castilho, De Sordi, Djalma Santos, Belini, Mauro, Orlando, Zózimo, Nilton Santos, Oreco, Dino, Zito, Didi, Moacir, Joel, Garrincha, Vavá, Mazola, Dida, Pelé, Zagalo e Pepe?

No dia 29 de junho de 1958, depois de uma campanha extraordinária, a seleção conquistou o primeiro título mundial dos cinco que ostentamos hoje. Os “vira-latas” fizeram o brasileiro orgulhoso pela primeira vez diante do mundo. Do dia para a noite, os jogadores viraram heróis. Não herói de filme americano. Heróis de futebol brasileiro mesmo: ganharam um terno aqui, uma festinha ali e muitas, muitíssimas, promessas. Na explosão de alegria o país quis esquecer, para sempre, o tal complexo de vira-lata. Depois do pau-brasil, da borracha e do café, o Brasil acabava de se tornar o país do futebol.

Então, quando lembramos aquela gloriosa seleção, devemos prestar tributo aos jogadores não apenas pelo primeiro título mundial do futebol brasileiro, mas por nos terem libertado, ainda que por um tempo, do complexo de inferioridade, o tal viralatismo que ainda hoje se perpetua no espírito de muita gente, gente que quando olha o espelho continua não gostando do que vê.

1958 o ano em que o mundo descobriu o Brasil vai em busca desta memória tão valiosa para nossa história, para que o maior feito do nosso futebol jamais seja esquecido. É um trabalho afetuoso, uma declaração de amor, uma homenagem aos heróis do futebol brasileiro. São heróis de carne e osso, não atravessam paredes, nem ficam se exibindo em cima de edifícios. Fizeram história e ainda não receberam todo o reconhecimento que merecem. A conquista deles vai além do futebol, esta paixão nacional, talvez a maior expressão da cultura popular brasileira e provavelmente um dos mais fortes laços da identidade nacional. Tomara que sejam permanentemente redescobertos pelas futuras gerações. Só assim estará garantida, de fato, a maior contribuição que eles nos deixaram: o fim do viralatismo.

* Texto escrito para o Recine de 2008.

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amigos e amigas,

é com prazer que informo o lançamento em dvd do 1958 o ano em que o mundo descobriu o brasil.

nestes próximos dias, o dvd estará nas lojas americanas e nas livrarias da travessa, saraiva e cultura, além de ser vendido, também, no site www.livrosdefutebol.com .

josé carlos asbeg

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