Filme chato e repetido!

JACKSON VASCONCELOS

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Em 1985, Moreira Franco, filiado ao PMDB, aluno pós-graduado na escola de malandragem do Amaral Peixoto, com a ajuda do PFL, articulou uma ampla aliança de partidos políticos, fez uma campanha eleitoral com o apoio de todos os prefeitos do estado e bateu o candidato do Brizola, professor Darcy Ribeiro. Naquela eleição, eu lembro, Moreira Franco liderou todas as pesquisas de opinião desde o início da campanha. Venceu de ponta a ponta.

Com Sérgio Cabral Filho aconteceu coisa bem parecida. Com o apoio de quase todos os prefeitos e partidos políticos, da mídia, do governo do estado e de quase todas as lideranças políticas, ele bateu a Denise Frossard, nos dois turnos da eleição.

Portanto, em 1986, com a idade de 42 anos, Moreira Franco assumiu o governo do estado. As expectativas positivas com relação ao seu governo indicaram que a trajetória política de Leonel Brizola terminaria ali. Sopesadas as evidentes diferenças de caráter entre Brizola e Garotinho, aqui há também coincidência. Sérgio Cabral Filho chegou outro dia ao governo com a idade de 43 anos e sua popularidade aconselha que não se aposte, pelo menos por enquanto, um tostão furado, na possibilidade de retorno de Garotinho ou de Rosinha, ou dos dois, ao cenário político de primeira grandeza, quer no Estado, quer no País.

Moreira Franco recebeu, na campanha eleitoral e no início do seu governo, o apoio integral do Presidente José Sarney e de toda a mídia, liderada, sempre, pelo Sistema Globo. O Presidente da República apostou tanto no Moreira que lhe deu, sem pestanejar ou discutir, a presidência do BNDES, que ele entregou ao seu amigo, quase irmão, Márcio Fortes.

Fato semelhante se dá agora na relação de Sérgio Cabral Filho com o Presidente LULA e até podemos dizer que o Márcio de ontem pode ser o Temporão de hoje. O apoio da mídia está condensado no título carinhoso que lhe deu o Sistema Globo de “namoradinho do Rio”.

Moreira Franco, assim como Sérgio Cabral Filho, montou um governo meio técnico, meio político, mas eufórico demais. Os técnicos, tanto de um quanto de outro, ficaram com a incumbência de reorganizar a máquina pública destruída, no primeiro momento pela equipe de Leonel Brizola e no segundo pela de Garotinho e Rosinha. Neste campo, Sérgio Cabral Filho leva uma pequena vantagem comparativa, porque alguns dos seus técnicos e mesmo dos seus políticos, foram responsáveis também pelo estrago – estiveram lindos e faceiros no governo anterior. Por isso, provavelmente, melhor do que os técnicos e políticos de Moreira, os do Cabral saberão o que fazer.

Aos políticos, Moreira Franco atribuiu também a tarefa de manter aberto o diálogo com a Assembléia Legislativa, onde reinava o deputado Gilberto Rodrigues. A influência do deputado Gilberto Rodrigues sobre o governador Moreira Franco chegou ao limite de não se poder distinguir mais quem efetivamente mandava no governo.

Sérgio Cabral Filho tem Jorge Picciani, com histórico potencial de influência crescente sobre o governo. Picciani, a tomar por seu filho Leonardo, já chegou, pela influência que exerce sobre Sérgio Cabral Filho, bem mais longe do que chegou o velho Gilberto Rodrigues.

Moreira Franco se deu mal. Não conseguiu levar para o governo as promessas feitas na campanha, porque quase todas impraticáveis e feitas para garantir-lhe a eleição. Absurdas ao nível de assegurar vitória sobre o crime em apenas seis meses.

Com o tempo, a equipe técnica do governador Moreira Franco perdeu calor; a população se desiludiu, os apoios políticos buscaram outros endereços e o Presidente da República perdeu a paciência, depois de abandonado por ter perdido antes a popularidade. Resultado: a criminalidade triunfou, a despeito da prisão de todos os líderes do crime organizado e do trabalho positivo feito pelo governador neste campo, com a inauguração do complexo penitenciário de BANGU, primeira experiência nacional com presídios de segurança máxima. Moreira terminou o governo nos braços de Castor de Andrade e de sua tropa e, do modo como terminou, contrariou as expectativas de liquidação do grupo de Leonel Brizola, que retornou ao governo do estado. Retornou para eleger Garotinho e Rosinha que, enganada, elegeu Sérgio Cabral Filho, governador exuberante, alegre, que almoça e janta em lugares caros; que se veste e mora muito bem, quer nos dias de trabalho, quer nos dias de descanso; viaja o mundo inteiro, toca berimbau, vai a enterros, visita teatros, vai a cinemas, discursa, promete, bajula o LULA, faz visitas ao Aécio Neves e, quando sobra tempo, faz cara de preocupado.

Para bem do Rio de Janeiro, tomara que as coincidências terminem por aí.

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