Deficiência dá samba? Dá sim senhor! (1)
Site do IBDD (www.ibdd.org.br), Notícias, 19/01/2007:
Marcos: Carnaval ao som dos tamborins da Estácio na Sapucaí
Marcos Antônio de Jesus Santos tem 32 anos de idade, é publicitário e trabalha no IBDD. Sua paixão pelo Carnaval é antiga, mas ele passou algum tempo longe da batida contagiante de tamborins e repiques: uma meningite contraída aos 17 anos fez com que perdesse 100% da capacidade auditiva. Essa condição só seria revertida em 2000 através da realização de um implante coclear que lhe devolveu a audição. Durante quase uma década, Marcos tinha a percepção do som apenas através da vibração. Desse modo, o implante coclear lhe possibilitou uma experiência que ele descreve como única e inesquecível: voltar a ouvir o som de uma bateria de escola de samba.
Este ano, Marcos finalmente realizará um desejo antigo: desfilar na Marquês de Sapucaí. Ele fará parte da ala dos compositores do Grêmio Recreativo Escola de Samba Estácio de Sá, que estará de volta ao grupo especial. A decisão de participar do grande espetáculo do Carnaval na Marquês de Sapucaí foi tomada a partir do convite do amigo Édson Marinho, presidente da ala dos compositores da Estácio, para desfilar na escola. Um elemento que pesou bastante para que o convite fosse aceito foi o fato de a fantasia da ala dos compositores ser bem mais discreta do que a das demais alas. Assim, longe das plumas e paetês, o figurino de Marcos na passarela do samba será composto basicamente por fraque, cartola e bengala.
O primeiro ensaio técnico da Estácio na Marquês de Sapucaí foi realizado no dia 13 de janeiro e o próximo - e último - será no dia 27. Marcos tem freqüentado os ensaios da escola, inclusive os realizados na quadra da Rua Salvador de Sá aos sábados. Segundo ele, não há nenhuma outra pessoa com deficiência na ala dos compositores, que conta com 90 componentes. Aliás, ele ainda não notou a presença de pessoas com deficiência nos ensaios da Estácio. Apesar disso, a quadra da escola possui boas condições de acessibilidade, contando com rampas e banheiros adaptados. O mesmo infelizmente não se pode dizer da passarela do samba, equipada apenas com mal cheirosos banheiros químicos, inadequados não apenas em termos de acessibilidade, mas também - e principalmente - de higiene.
Neste Carnaval, mais do que simplesmente ouvir o som contagiante da bateria, o que é sempre uma emoção especial na vida de Marcos, ele participará da grande festa da Marquês de Sapucaí in loco. Assim como boa parte dos foliões do Rio de Janeiro, ele já está em ritmo de contagem regressiva para o início das festividades de Momo. Agora é hora de esquentar os tamborins e mostrar que deficiência dá samba durante o ano inteiro e principalmente no Carnaval!